A ENERGIA ELÉTRICA EM JACAREÍ
“A energia elétrica em Jacareí (1895-1928)” foi um dos primeiros trabalhos acadêmicos feitos sobre Jacareí e escritos por jacareienses a ser publicado como livro. Fruto do Trabalho de conclusão de Curso das professoras Conceição Aparecida Oliveira Zenzen e Antônia Maria Nunes Pieve. Foi apresentado e defendido na Universidade do Vale do Paraíba – Univap, em 1995.
Cinco anos depois, através do Arquivo Público e Histórico de Jacareí e da Fundação Cultural de Jacarehy “José Maria de Abreu”, foi o editado como livro, contando a história da implantação da energia elétrica em Jacareí, desde 1895 até 1928.
É um livro composto por dois prefácios: uma do então reitor da Univap, Professor doutor João Baptista Gargione Filho e outra do historiador e memorialista, o ex-prefeito Benedicto Sérgio Lencioni.
O livro segue a estrutura do Trabalho Acadêmico que lhe deu origem. Possuindo uma Apresentação e três capítulos, sendo que o último capítulo tratam das considerações finais.
O período abrangido pela obra diz respeito aos primeiros anos da empresa, que era de Jacareí, mas depois foi comprada pela companhia canadense “Light and Power”, que ficaria também responsável pela construção da represa de Santa Branca nas décadas de 1950-60.
Jacareí foi a sétima cidade do país, a segunda do estado de São Paulo e a primeira do Vale do Paraíba a ter luz elétrica. E isso se deveu à presença de manufaturas, em especial tecelagens e fábricas de meias, em contínua expansão. Na década de 1910-20, Jacareí teve a alcunha de “Manchester Paulista” tal o número dessas indústrias por aqui.
A primeira manufatura de meias foi fundada pelo II Barão de Santa Branca e pelo abolicionista e joalheiro judeu Luiz Simon em 1879. Isto é, nove anos antes da Abolição da Escravatura na região, adiantando-se à mudança das relações trabalhistas na localidade. Em 1886, já contava com um bom número de funcionários, conforme é descrito num relatório sobre a cidade feito pelo também abolicionista Antônio Gomes de Azevedo Sampaio.
As primeiras indústrias possuíam teares e máquinas manuais bem como algumas que também demandavam geradores à diesel, que infelizmente impediam a expansão do parque industrial. Por esse motivo, a passagem para um sistema de energia mais moderno se fazia necessária.
Dessa forma, o major José Bonifácio de Matos viu nisso uma oportunidade ao construir uma usina do tipo termoelétrica, cuja sede se localizava na rua doutor Lúcio Malta.
Essas usinas se utilizam da queima de combustíveis sólidos, líquidos ou gasosos, como o carvão mineral, o gás natural, petróleo, a nafta e, em tempos mais recentes, a biomassa. Hoje, é considerado antiecológico e muito poluente, mas na época era uma solução rápida, apesar dos grandes investimentos iniciais.
Como o livro demonstra esta companhia evoluiu de termoelétrica para hidrelétrica e passou a controlar também a distribuição da energia na região, bem como o monopólio da venda dos primeiros materiais e aparelhos elétricos: ventiladores e ferros de engomar, com o nome de “Companhia de Força e Luz Jacarehy Guararema”.
Com a expansão do uso tanto industrial, quanto público e doméstico da energia elétrica, bem como a expansão do abastecimento de água e esgoto na cidade, a companhia viveu várias crises e disputas com a Câmara Municipal até que foi vendida para o que se chamava na época de o “polvo canadense”, a “Canadian Light and Power”, que com mais capital e em expansão pelo interior de São Paulo e pelo Rio de Janeiro, comprou quase todas as empresas da região, fazendo o mesmo com a de Jacareí em 1928.
Como se pode ver, o livro desnuda um período pouco trabalhado e conhecido da história jacareiense: os primeiros tempos da República e de que forma a elite local trabalhou para segurar a economia da cidade num período em que o Vale do Paraíba estava empobrecido pela decadência do café.
Este livro está destinado a todas as idades, principalmente a partir do Fundamental I, onde questões como economia, indústria e produção de energia podem ser discutidos, contrapondo-se inclusive com a realidade presente.
Ana Luiza do Patrocínio
Doutoranda em Educação pela Universidade Federal São Paulo