No acervo do Macedo

Introdução:

Nesse espaço vamos quinzenalmente focar quatro tópicos: autor, obra, fatos/peronagens históricos e obra pouco emprestada da Biblioteca. A ideia é que esses pequenos excertos despertem nos internautas-leitores a chama da curiosidade em conhecer mais sobre as pessoas e os assuntos, em especial, as obras que serão focadas.

Autor da Quinzena:

Abraham “Bram” Stoker (Dublin8 de Novembro de 1847 – Londres20 de Abril de 1912) foi um romancista, poeta e contista irlandês, mundialmente conhecido por seu romance gótico Drácula (1897), a principal obra no desenvolvimento do mito literário moderno do vampiro.

Sempre estudando em Dublin, escreveu seu primeiro ensaio aos 16 anos e, em 1875, concluiu seu mestrado. Conseguiu se tornar crítico de teatro, sem remuneração, no jornal Dublin Eventing Mail. Em 1878 Stoker casou-se com Florence Balcombe, cujo ex-pretendente foi Oscar Wilde.

Com a mulher, mudou-se para Londres, onde passou a trabalhar na companhia teatral Irving Lyceum, assumindo várias funções e permanecendo nela por 27 anos. Em 31 de Dezembro de 1879 nasceu seu único filho, Irving Noel Thornley Stoker. Trabalhando para o ator Henry Irving, Stoker viajou por vários países, apesar de nunca ter visitado a Europa Oriental, cenário de seu famoso romance.

Enquanto esteve no Lyceum Theatre de Londres, começou a escrever romances e fez parte da equipe literária do jornal londrino Daily Telegraph, para o qual escreveu ficção e outros gêneros.

Antes de escrever Drácula, Stoker passou vários anos pesquisando folclore europeu e as histórias mitológicas dos vampiros. Ele foi publicado em 26 de maio de 1897.

Depois de sofrer uma série de derrames cerebrais, Stoker faleceu em Londres em 1912. Alguns biógrafos atribuem a um processo desencadeado por uma sífilis terciária como causa de sua morte. Foi cremado e suas cinzas estão numa urna no Crematório de Golders Green, em Londres, Inglaterra.

Livro da Quinzena:

Para começar esta série, um livro para quem quer tomar o gosto pela leitura. E para isso nada como ler uma boa história de mistério e suspense. Conheçam  “O cão dos Baskervilles”. Escrita por sir Arthur Conan Doyle e publicada em 1902, é a sua obra mais conhecida e mais filmada no mundo inteiro, protagonizada pelo detetive Sherlock Holmes e pelo doutor John H. Watson.

Há quinhentos anos, o Solar abriga a família Baskervilles que é assombrada por um passado sombrio: Hugo Baskerville, notório escudeiro que havia sido o dono da mansão durante a guerra civil de meados do século XVII, teria sido morto por um suposto cão diabólico. A partir de então, surge a lenda em torno desse cão, que passa a assombrar a família, matando cada um dos membros que se arriscam a habitar o solar. A história teria sido confirmada após o falecimento de Sir Charles, que sofria do coração e teria morrido de susto ao ter sido abordado pelo lendário animal.

O Dr. Mortimer, antigo amigo de Charles, pede ajuda a Sherlock Holmes para desvendar o mistério do cão dos Baskerville, mostrando-se preocupado com a vida do novo morador do solar, Sir Henry Baskerville, sobrinho e herdeiro de Sir Charles, provavelmente destinado a sofrer o mesmo fim de seu tio.

Fato / Personagem da Quinzena:

Eleição de Abraham Lincoln como  16º presidente dos EUA em 03 de novembro de 1860.

É um fato histórico rico em detalhes e em consequências. Este pleito foi decisivo para que acontecesse a Guerra Civil Americana porque Lincoln já se opunha à escravidão desde os debates de 1858, que haviam tido grande repercussão e projetado o seu nome nacionalmente.

É desse ano o discurso da “Casa dividida”, prenúncio da luta fratricida que se seguiria entre 1861 e 1865, que custou a vida de, pelo menos, 1.030.000 pessoas (ou 3% da população estadunidense da época).

Baseado no evangelho segundo São Marcos, capítulo 3, versículo 25, o trecho mais conhecido assim diz:

 “Uma casa dividida contra si mesma não pode permanecer. Eu acredito que este governo não pode suportar, permanentemente, ser metade escravo e metade livre. Eu não espero a dissolução da União, eu não espero ver a casa cair, mas espero que deixe de ser dividida. Terá que se tornar inteiramente algo uno, ou todo de outra forma.”

Sua eleição fez com que sete estados escravistas do sul declarassem sua secessão da União e formassem os Estados Confederados da América. A ruptura com os sulistas fez com que o partido de Lincoln obtivesse amplo controle do Congresso, mas nenhuma ação ou reconciliação foi, a princípio, feita.

Com a conflagração de sua maior crise interna, no entanto, Lincoln liderou o país de forma bem-sucedida, preservando a integridade territorial do país, abolindo a escravidão e fortalecendo o governo nacional a um enorme preço. Inclusive com a própria vida, visto que foi assassinado em 11 de abril de 1865 por um fanático sulista, John Wilker Booth, no início do seu segundo mandato como presidente.

Garimpando o acervo:

A guerra do fim do mundo, publicado em 1981, é um romance de autoria do peruano Mario Vargas Llosa que narra a história da Guerra de Canudos, mesclando personagens reais e fictícios.

Antônio Conselheiro, líder do levante, fundamentalista religioso, é descrito com base em elementos retirados do clássico brasileiro “Os Sertões“, de Euclides da Cunha.

Mario Vargas Llosa passou vários meses no sertão de Canudos, procurando inspiração e escrevendo os primeiros rascunhos do romance. Inspirado nos fatos históricos da Guerra de Canudos e contendo uma riqueza de detalhes sobre a vida do sertão baiano, o livro não deve, porém, ser confundido com uma fonte histórica. Tanto a história quanto os personagens foram ficcionalizadas. 

Este é um dos livros mais importantes de Mario Vargas Llosa, um épico latino-americano em que ele reconta a Guerra de Canudos – conflito que está entre os mais dramáticos da história do Brasil -, com toda a genialidade que o consagrou como um dos grandes autores de língua espanhola da atualidade. A pesquisa para o livro demandou um esforço concentrado. Impressionado com a leitura de Os sertões, de Euclides da Cunha, Vargas Llosa se embrenhou em arquivos históricos no Rio de Janeiro e em Salvador, viajou pelo sertão da Bahia e de Sergipe e criou um a obra que, hoje, é reconhecida como o seu tour de force. “Peregrinei por todas as vilas onde, segundo a lenda, o Conselheiro pregou”, escreve ele, “e nelas ouvi os moradores discutindo ardorosamente sobre Canudos, como se os canhões ainda trovejassem no reduto rebelde e o Apocalipse pudesse acontecer a qualquer momento naqueles desertos salpicados de árvores sem folhas, cheias de espinhos”. Em A guerra do fim do mundo, o autor dá uma nova dimensão à figura de Antônio Conselheiro, esse homem de túnica roxa e olhos que “flamejavam com um fogo perpétuo”, capaz de levar uma multidão de fiéis até os limites da loucura e, finalmente, à morte.