No Acervo Do Macedo

Autor da Quinzena:

Em 2022, comemora-se os 400 anos de Moliére. Mas quem foi ele? 

Jean-Baptiste Poquelin, mais conhecido como Molière (Paris, 15 de janeiro de 1622 — Paris, 17 de Fevereiro de 1673), foi um dramaturgo francês, além de ator e encenador, considerado um dos mestres da comédia satírica. Teve um papel de destaque na dramaturgia francesa, até então muito dependente da temática da mitologia grega. Molière usou as suas obras para criticar os costumes da época. É considerado o fundador indireto da Comédia Francesa. Como encenador, ficou também conhecido pelo seu rigor e meticulosidade.

Filho de um artesão parisiense Jean-Baptiste Poquelin (1595 – 1669), Molière ficou órfão da mãe Marie Cressé (1601 – 1632) quando tinha apenas dez anos de idade.Em 1633 entrou na prestigiada escola de Jesuítas do Collège de Clermont, onde completou a sua formação acadêmica em 1639.

Entre 1645 e 1658 viajou por várias províncias francesas fazendo apresentações com uma trupe que ele formou com nove colegas. Sua vida neste período foi bem precária. Foi apenas em 1658 que Molière e seu grupo de teatro passaram a fazer sucesso, quando se apresentaram no Louvre, perante o rei Luis XIV.

Em 1662, casou com a atriz francesa Armande Béjart, cuja mãe trabalhava em sua companhia de teatro. Ele tinha 40 e ela, 17.

Em 17 de janeiro de 1673, enquanto representava no palco o protagonista de sua última obra, Le Malade imaginaire (O doente imaginário), Molière sofreu um repentino colapso e morreu poucas horas depois, em sua casa de Paris. Em 1792, os seus restos mortais foram levados para o Museu dos Monumentos Franceses e, em 1817, transferidos para o cemitério do Père Lachaise, em Paris, ao lado da sepultura de La Fontaine.

A obra de Moliére abordou temas cotidianos com um olhar crítico e satírico, criticando o pedantismo dos falsos sábios, a pretensão dos burgueses e a corrupção em todos os setores da sociedade. Entre suas obras destacam-se: As preciosas ridículas (1659), A Escola de Mulheres (1662), Tartufo (1664), O Misantropo (1665), Médico a força (1666), O Avarento (1668), Anfitrião (1668), O burguês fidalgo (1670), Psiché, As Amantes Magníficas e As Mulheres Sábias (1672), As sabichonas (1672), Os Importunos (1661), O Casamento Forçado (1664), O Improviso de Versalhes (1662),Os Magníficos Amantes (1663), entre outras.

Livro da Quinzena:

Primeiro romance do autor Umberto Eco, publicado em 1980, tornou-se um sucesso de vendas, fazendo com que o italiano, conceituado professor de semiótica, alcançasse prestigio internacional como romancista. Marcada pela ironia de Eco, a narrativa é repleta de mistérios com símbolos secretos e manuscritos codificados.

O frei William recebe a missão de investigar a ocorrência de heresias em um mosteiro beneditino, na Itália do ano de 1327. Porém a morte de sete monges em sete dias, e as suas circunstâncias insólitas, muda o foco e o rumo das investigações. Emulando muito bem um enredo que poderia ser de Agatha Christie, Georges Simenon ou Conan Doyle, Eco narra uma instigante investigação do frade franciscano William de Baskerville, assessorado pelo noviço Adso de Melk, que decidem ir até o fim nas suas investigações, apesar da resistência de alguns dos religiosos do local. Por fim, descobrem uma biblioteca secreta de obras proibidas que pode ser a causa de todos os assassinatos. Nada mais pode ser dito. O filme realizado em 1986 é tão bom quanto o livro, com final ligeiramente diferente.

Fato / Personagem da Quinzena:

Amácio Mazzaropi foi um ator, humorista, cantor e cineasta brasileiro, que esse ano completaria 110 anos de vida. Nasceu em São Paulo, em 9 de abril de 1912 e faleceu na mesma cidade, a 13 de junho de 1981. Era filho de Bernardo Mazzaropi, imigrante italiano, e Clara Ferreira, brasileira nascida em Taubaté, filha de imigrantes portugueses da ilha da Madeira. As mudanças entre a Capital paulista e Tabuaté marcaram a infância de Mazzaropi, que desde cedo entrou em contato com a cultura caipira, que tanto o inspiraria.

Apesar de ser um excelente aluno, Mazzaropi gostava do mundo dos espetáculos e do circo. Preocupados, os pais mandaram Amácio aos cuidados do tio Domenico Mazzaroppi, em Curitiba, onde trabalhou na loja de tecidos da família. Em 1926, voltou a São Paulo, para retomar seu sonho de palcos. Com a Revolução de 1932, aconteceu um impulso em sua carreira. Em 1946, passou a trabalhar na rádio Tupi no programa dominical Rancho Alegre; em 1950, estreou na Tv Tupi, com um programa do mesmo nome.

Muito conhecido, é convidado a estrelar um filme na recém-inaugurada companhia de cinema Vera Cruz. O filme Sai de Baixo foi um sucesso de bilheteria e ele faria mais duas produções com a Vera Cruz e outras cinco com produtoras diferentes até 1958. Em 1959, ele começou a produzir seus próprios filmes através da companhia PAM Filmes (Produções Amacio Mazzaropi). O primeiro foi Jeca Tatu, depois se seguiriam: As Aventuras de Pedro Malazartes (1960), Zé do Periquito (1960),Tristeza do Jeca (1961), O Vendedor de Linguiça (1962), Casinha Pequenina (1963), O Lamparina (1964),  Meu Japão Brasileiro (1964), O Puritano da Rua Augusta (1965), O Corintiano (1966), O Jeca e a Freira (1968), No Paraíso das Solteironas (1969), Uma Pistola para Djeca (1969), Betão Ronca Ferro (1970), O grande Xerife (1972), Um caipira em Bariloche (1973), Portugal… minha saudade (1973), O Jeca macumbeiro (1974), Jeca Contra o Capeta (1975), Jecão, um Fofoqueiro no Céu (1977), O Jeca e seu Filho Preto (1978), A banda das velhas virgens (1979), O Jeca e a Égua Milagrosa (1980) e Maria Tomba Homem (1982 – inacabado)

Garimpando o acervo:

Obra-prima do escritor Érico Veríssimo (1905 – 1975), ela foi escrita ao longo de treze anos e é composta de três  partes: O continente (1949), O retrato (1951) e O Arquipélago (1961).

A história começava em 1745, naquele que era o vasto Continente de São Pedro do Rio Grande do Sul (por isso o nome da 1ª parte da trilogia) onde as Missões Jesuíticas reuniram indígenas, padres e colonos numa experiência social bastante particular. O pano de fundo foi a chamada Guerra Missioneira, a partir da qual (e através do Tratado de Madrid – 1750), o Continente se tornou parte da colônia portuguesa que viria a ser o Brasil.

Em meio a tudo isso, o índio Pedro Missioneiro viu seu povoado destroçado e, sem rumo, chegou aos domínios da família Terra, tropeiros oriundos de Sorocaba. Ao conhecer Ana Terra, apaixonou-se por ela e a engravidou. Por essa razão, o pai e os irmãos de Ana mataram o índio, lavando sua honra. 

Anos depois, a casa dos Terras foi atacada por castelhanos, tendo sobrevivido apenas Ana, seu filho Pedro Terra, sua cunhada e sua sobrinha, que partiram para a vila de Santa Fé.

Em Santa Fé, ocorreram os eventos mais conhecidos da trilogia. O encontro entre Bibiana (filha de Pedro Terra) com o capitão Rodrigo Cambará, cuja união daria origem a Bolívar, o futuro líder do clã Terra-Cambará que atravessou décadas de conflito com a família de Bento Amaral, durante a Revolução Farroupilha ( com a morte do capitão Rodrigo) e a Guerra do Paraguai, chegando ao fim do século XIX  na Revolução Federalista de 1893 onde os Terra-Cambará são castilhistas e a família Amaral são maragatos. Essa primeira parte foi imortalizada na minissérie O tempo e o vento, transmitida pela Rede Globo em 1985. Por isso, todos acham que O tempo e o vento se resume apenas a essa parte, ainda que ela seja realmente épica.

Na segunda parte, O retrato, Veríssimo continuou a saga dos Cambará, com o doutor Rodrigo e seu pai, o coronel Licurgo, tendo como pano de fundo as relações entre a modernização urbana e o tradicionalismo rural, numa Santa Fé em transformação no começo do século XX, onde as ideias modernas se chocaram com o provincianismo patriarcal.

Fechando a saga, em O Arquipélago as tensões presentes no volume precedente ganharam âmbito nacional. Rodrigo Cambará aderiu ao Estado Novo de Getúlio Vargas, conhecendo o poder. Porém, com a queda de Vargas, Rodrigo, doente, voltou para Santa Fé, onde deveria viver um acerto de contas familiar. Um dos personagens dessa parte é Floriano, filho de Rodrigo, que quer ser escritor. Ele também é o alter-ego do escritor Érico Veríssimo.

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