No Acervo do Macedo

Autor da Quinzena:

Alfredo de Freitas Dias Gomes, ou simplesmente Dias Gomes foi romancista, contista e teatrólogo, tendo nascido nasceu em Salvador, BA, em 19 de outubro de 1922. Faleceu em São Paulo no dia 18 de maio de 1999. Filho do engenheiro Plínio Alves Dias Gomes e de Alice Ribeiro de Freitas Gomes, mudou-se com sua família parao Rio de Janeiro em 1935. Com apenas 15 anos escreveu sua primeira peça, A comédia dos moralistas, que ganhou o 1º lugar no Concurso do Serviço Nacional de Teatro em 1939. Em 1940, fez o curso preparatório para o curso de Engenharia e, no ano seguinte, para o curso de Direito, que abandonou no terceiro ano.

 

Estreou no teatro profissional em 1942, com a comédia Pé-de-cabra, encenada no Rio de Janeiro, em São Paulo e em todo o país. Em seguida, escreveu as peças O homem que não era seu e João Cambão. Em 1943, sua peça Amanhã será outro dia foi encenada pela Comédia Brasileira (companhia oficial do Serviço Nacional do Teatro). Assinou contrato de exclusividade com a Companhia de Teatro de Procópio Ferreira, para a montagem de várias peças subseqüentes.

Em 1944, a convite de Oduvaldo Viana (pai), foi trabalhar na Rádio Pan-Americana (São Paulo), fazendo adaptações de peças, romances e contos para o “Grande Teatro Pan-Americano”. Além de teatro, passou a escrever romances: Duas sombras apenas (1945); Um amor e sete pecados (1946); A dama da noite (1947) e Quando é amanhã (1948). Em 1948, regressou ao Rio de Janeiro, onde passou a trabalhar em várias rádios, sucessivamente: Rádio Tupi e Rádio Tamoio (1950), Rádio Clube do Brasil (1951) e Rádio Nacional (1956).

Em 1950, casou-se com Janete Emmer (a futura novelista Janete Clair), com quem teve cinco filhos: Alfredo, Guilherme, Marcos Plínio (já falecido) e Denise. Em fins de 1953, viajou à União Soviética com uma delegação de escritores, para as comemorações do 1º de Maio. Por essa razão, ao voltar ao Brasil, foi demitido da Rádio Clube. Seu nome foi incluído na “lista negra”, e durante nove meses seus textos para a televisão tiveram que ser negociados com a TV Tupi em nome de colegas.

Em 1959, escreveu a peça O pagador de promessas, que estreou no Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo, sob direção de Flávio Rangel e com Leonardo Vilar no papel principal. Dias Gomes ganhou projeção nacional e internacional. A peça, traduzida para mais de uma dúzia de idiomas, foi encenada em todo o mundo. Adaptada pelo próprio autor para o cinema, O pagador de promessas, dirigido por Anselmo Duarte, recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1962. Nesse ano, recebeu o Prêmio Cláudio de Sousa, da Academia Brasileira de Letras, com a peça A invasão.

Em 1964, Dias Gomes foi demitido da Rádio Nacional por ocasião do Golpe Militar de 1964. Ele próprio teve várias peças censuradas durante a vigência do regime militar (O berço do herói, A revolução dos beatos, O pagador de

promessas, A invasão, Roque Santeiro (novela), Vamos soltar os demônios ou Amor em campo minado).

Contratado, desde 1969, pela TV Globo, produziu inúmeras telenovelas, além de minisséries, seriados e especiais (telepeças). Foi a partir dessa época que Dias Gomes se tornou mais conhecido do público, principalmente pela novela Roque Santeiro (2ª versão – 1985) e pela novela / série O Bem Amado (1973; 1980-1984). Em 1985, criou e dirigiu, até 1987, a Casa de Criação Janete Clair, na TV Globo, que serviu para revelar novos autores para a emissora.

Em 11 de abril de 1991, foi eleito o sexto ocupante da Cadeira 21 da Acdemia Brasileira de Letras, na sucessão de Adonias Filho, sendo recebido pelo acadêmico Jorge Amado em 16 de julho de 1991. Faleceu num acidente automobilístico em 18 de maio de 1999.

Livro da Quinzena:

Memorial do Convento foi escrito por José Saramago em 1982, exatos 40 anos atrás. Trata-se de um romance que mistura história e ficção, com personagens reais e outros inventados pelo autor. Mesmo os personagens reais, como o padre Bartolomeu, são retratados com grande liberdade histórica.

Nesta obra, Saramago retratou a personalidade do rei D. João V e contou também a vida de vários operários anônimos que contribuíram na construção do Convento de Mafra. Os personagens principais são Baltasar, Blimunda e Bartolomeu de Gusmão. O operário Baltasar amava Blimunda, mulher dotada do estranho poder de ver o interior das pessoas. Os dois conheceram um padre, Bartolomeu de Gusmão, que entrou na história como pioneiro da aviação, O trio, então, inicia a construção de um aparelho voador, a Passarola, que sobe em direcção ao Sol, sendo que este atrai as vontades, que estão presas dentro da Passarola. Blimunda, ao ver o interior das pessoas, recolhe as suas vontades, descritas pelo autor como nuvens abertas ou nuvens fechadas.

Após o primeiro voo da passarola, Bartolomeu foge para Espanha, perseguido pela Inquisição. Blimunda e Baltasar vão tratando de esconder e de fazer a manutenção da passarola, que estava dissimulada por arbustos em Monte Junto. Um dia, Baltasar ficou preso à passarola, enquanto fazia a sua manutenção, e os cabos que a impediam de se elevar nos céus rebentaram, tendo sido levado pelos ares. A aeronave despenhou-se e Baltasar foi capturado pela Inquisição, acusado de bruxaria. No epílogo da acção, Blimunda recolhe a vontade de Baltasar, enquanto este morre, condenado à fogueira.

Fato / Personagem da Quinzena:

No mês de abril comemora-se os 470 anos de nascimento de Leonardo da Vinci.

Leonardo di Ser Piero da Vinci ou simplesmente Leonardo da Vinci (Anchiano, 15 de abril de 1452 — Amboise, 2 de maio de 1519), foi um polímata (pessoa de múltiplos talentos) nascido na atual Itália. Foi uma das figuras mais importantes que se destacou como cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico.

É ainda conhecido como o percursor da aviação e da balística. Nascido como filho ilegítimo de um notário, Piero da Vinci, e de uma camponesa, Caterina, em Vinci, na região da Florença, foi educado no ateliê do renomado pintor florentino, Verrocchio. Passou a maior parte do início de sua vida profissional a serviço de Ludovico Sforza (Ludovico il Moro), em Milão; trabalhou posteriormente em Veneza, Roma e Bolonha, e passou seus últimos dias na França, numa casa que lhe foi presenteada pelo rei Francisco I. Leonardo era, como até hoje, mais conhecido principalmente como pintor. Duas de suas obras, a Mona Lisa e A Última Ceia, estão entre as pinturas mais famosas, mais reproduzidas e mais parodiadas de todos os tempos, e sua fama se compara apenas à Criação de Adão, de Michelangelo. O desenho do Homem Vitruviano, feito por Leonardo, também é tido como um ícone cultural, e foi reproduzido por todas as partes, desde a moeda de um euro até em camisetas. Cerca de quinze de suas pinturas sobreviveram até os dias de hoje; o número pequeno se deve às suas experiências constantes — e frequentemente desastrosas — com novas técnicas, além de sua procrastinação crônica. Ainda assim, estas poucas obras, juntamente com seus cadernos de anotações — que contêm desenhos, diagramas científicos, e seus pensamentos sobre a natureza da pintura — formam uma contribuição às futuras gerações de artistas que só pode ser rivalizada à de seu contemporâneo, Michelangelo.

Leonardo também é reverenciado pela sua engenhosidade tecnológica; concebeu ideias muito à frente de seu tempo, como um protótipo de helicóptero, um tanque de guerra, o uso da energia solar, uma calculadora, o casco duplo nas embarcações, e uma teoria rudimentar das placas tectônicas. Um número relativamente pequeno de seus projetos chegou a ser construído durante sua vida (muitos nem mesmo eram factíveis), mas algumas de suas invenções menores, como uma bobina automática, e um aparelho que testa a resistência à tração de um fio, entraram sem crédito algum para o mundo da indústria. Como cientista, foi responsável por grande avanço do conhecimento nos campos da anatomia, da engenharia civil, da óptica e da hidrodinâmica. Leonardo da Vinci é considerado por vários o maior gênio da história, devido a sua multiplicidade de talentos para ciências e artes, sua engenhosidade e criatividade, além de suas obras polêmicas. Num estudo realizado em 1926 seu QI foi estimado em cerca de 180.

Garimpando o acervo:

Pauliceia Desvairada faz cem anos, publicada como uma coleção de poemas de Mário de Andrade, em 1922. Foi a segunda coleção de poesia do autor e a mais polêmica e influente. O uso livre da métrica por Andrade introduziu ideias modernistas europeias revolucionárias na poesia brasileira, que antes era estritamente formal.

“Pauliceia ” é o apelido que Mário de Adrande deu a sua cidade natal. A coleção se passa em São Paulo e está ligada à cidade de inúmeras formas, tanto artística quanto historicamente. Ela nasceu diretamente das experiências do poeta em meio a cena artística paulistana no ano que antecedeu a 1922, o divisor de águas do movimento modernista brasileiro do qual ele foi a principal figura literária.

Na mitologia do livro que o próprio Mário de Andrade criou, este surgiu de uma experiência transcendentemente alienante que ele teve em 1920: a raiva de sua família por ter comprado uma escultura (na visão deles) blasfema de Victor Brecheret. Não há dúvida de que Brecheret e os demais jovens artistas e escritores do círculo de Andrade – principalmente Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Emiliano Di Cavalcanti e Menotti del Picchia – influenciaram o desenvolvimento do livro.

 

O livro é composto por 22 poemas curtos, onde cada um é a imagem única de um segmento da vida de São Paulo, seguido de um longo poema “As Enfibraturas do Ipiranga”, descrito como “Um Oratório Profano” e completo com instruções de palco específicas, mas impossíveis: “Todos os 550.000 cantores rapidamente pigarreiam e respiram profundamente profundamente”. Andrade leu vários desses poemas durante a Semana de Arte Moderna, em fevereiro de 1922, que ele organizou em colaboração com Di Cavalcanti, Malfatti, e vários outros. Ele também leu um ensaio, escrito depois que os poemas foram concluídos, descrevendo sua base teórica em retrospecto; este ensaio foi publicado como uma introdução à coleção, com o título irônico de “Prefácio Extremamente Interessante”. O tom é irreverente e combativo, e o ensaio traça um uso livremente musical dos versos.

Os poemas, que não apresentam métrica regular nem rima e que não são escritos principalmente em frases completas, mas em frases curtas e rítmicas, foram recebidos com vaias na leitura inicial, embora muitos na plateia ainda reconhecessem seu significado. Na forma, eles são totalmente novos; no tema eles podem ser eufóricos ou extremamente queixosos, preocupados com os cantos menos glamorosos da cidade, de uma forma que era totalmente nova para a poesia brasileira.

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