No Acervo do Macedo

Autor da Quinzena:

Antônio Frederico de Castro Alves, mais conhecido com Castro Alves nasceu na Fazenda Cabaceiras, Freguesia de CurralinhoVila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira em 14 de março de 1847.

Em 1858, ao lado do irmãos, passou a frequentar o “Ginásio Baiano“, do célebre educador Abílio César Borges, Barão de Macaúbas, onde encontrou ali um ambiente cultural fértil, em que se produziam saraus, festas de arte, música, poesia e declamação de versos e discursos. Desse modo, seus primeiros versos saíram aos 13 anos, a que se juntaram outros entre os anos de 1859 e 1861.

 

Em maio de 1863 dá exemplo de sua precocidade ao publicar no Recife, para onde se mudara a fim de cursar a Faculdade de Direito, “A Canção do Africano” (no primeiro número do jornal “Primavera”). Com apenas 16 anos, e muito antes da campanha pelo fim da escravatura, Castro Alves se faz abolicionista.

Integrou o movimento romântico, fazendo parte no país daquilo que os estudiosos chamam de “terceira geração romântica ou condoreira”. Escreveu clássicos como Espumas Flutuantes e Hino do Equador que o alçaram à posição de maior entre seus contemporâneos, bem como versos de poemas como Os EscravosA Cachoeira de Paulo Afonso e Gonzaga que lhe valeram epítetos como “poeta dos escravos” e “poeta republicano” por Machado de Assis, ou descrições de ser “poeta nacional, se não mais, nacionalista, poeta social, humano e humanitário”, no dizer de Joaquim Nabuco; e de ser “o maior poeta brasileiro, lírico e épico”, no dizer de Afrânio Peixoto.

Faleceu em 06 de junho de 1871, aos 24 anos, de tuberculose e de complicações advindas da amputação do pé esquerdo, ocasionada por um acidente de caça. 

Sua obra-prima é o poema Navio Negreiro (1869), cujo trecho mais conhecido é este:

Senhor Deus dos desgraçados!

Dizei-me vós, Senhor Deus!

Se é loucura… se é verdade

Tanto horror perante os céus?!

Ó mar, por que não apagas

Co’a esponja de tuas vagas

De teu manto este borrão?…

Astros! noites! tempestades!

Rolai das imensidades!

Varrei os mares, tufão!

Livro da Quinzena:

Fahrenheit 451, obra-prima de Ray Bradbury, é contado em um futuro próximo, sem data aproximada, onde uma América hedonista e anti-intelectual perdeu totalmente o controle. Qualquer um que é pego lendo livros é, no mínimo, confinado em um hospício. E onde as obras são consideradas ilegais e queimados pelos “bombeiros”. Daí o título do livro, Fahrenheit 451 que é a temperatura em escala Fahrenheit em que o papel queima, equivalente a 233 graus Celsius.

 O protagonista, Guy Montag, é um bombeiro que, seguindo a profissão de seu pai e de seu avô, tem certeza de que seu trabalho (queimar livros e a casa que os abrigam, bem como perseguir as pessoas que os detêm) – é a coisa mais certa a fazer. Ele lembra-se particularmente de uma ocasião de sua infância, quando faltou luz e sua mãe acendeu uma vela: no escuro, a vela proporcionou uma luz estranha, mas na qual Montag se sentiu seguro e confortável.

Dos três principais romances distópicos do século XX (os outros são 1984 e Admirável Mundo Novo), este é o que tem o final mais otimista, ainda que em aberto: a sociedade que Montag conheceu foi quase totalmente dizimada, e uma nova sociedade estaria nascendo de suas cinzas, com um destino ainda desconhecido. Nesse novo mundo, as pessoas que liam livros de forma outrora oculta começam a se revelar, explicando a todos os demais de onde vieram e de que forma o conhecimento que detêm poderá transformar a vida de todos de forma positiva.

Em 1966, foi feito um filme que é muito mais conhecido do que o livro, realizado pelo cineasta francês François Truffaut, que tem um final ligeiramente diferente, ainda mais belo e poético.

Fato / Personagem da Quinzena:

Os dias que nunca existiram. Assim podemos chamar as datas entre 05 e 14 de outubro de 1582 que foram suprimidas para que o calendário Gregoriano fosse implantado. Mas qual a origem dessa anomalia? Antes do calendário que chamamos de Gregoriano, Ocidental ou Cristão, o que vigorava era o calendário Juliano, assim chamado porque foi implementado na época de Júlio César, sendo calculado pelo astrônomo Sosígenes, da Escola de Alexandria. Esse calendário, entretanto, tinha alguns problemas de cálculo que com o passar dos séculos estavam gerando defasagens entre as datas e os fenômenos naturais, tais como as mudanças de estação. Dessa forma, a Páscoa e outras festas que são calculadas em função dos equinócios estavam cada vez mais imprecisas. Percebendo os problemas advindos disso, o papa Gregório XIII convocou uma comissão para o cálculo de um novo calendário mais preciso e que acompanhasse corretamente o ano solar, além de calcular uma nova fórmula para o ano bissexto.

 

Em 24 de fevereiro de 1582, as mudanças foram apresentadas na bula papal Inter gravissimus (Entre os mais importantes). Para efetuar a mudança e ajustar com o movimento da Terra ao redor do Sol 10 dias precisaram ser suprimidos no mês de outubro de 1582. Dali para frente, o ano foi dividido em 365 dias, com 04 meses com 30 dias, 07 meses com 31 dias, e Fevereiro que possui 28 ou 29 dias, dependendo se o ano for bissexto, a qual possui 366 dias. O ano pode ter 52 ou 53 semanas com 7 dias sempre iniciados na segunda feira, seguindo padrão internacional. Por sua vez, os anos bissextos são múltiplos de 4 ou 400 e não podem ser divisíveis por 100.

Foram necessários mais de 300 anos para que todos os países adotassem o novo Calendário Gregoriano. As primeiras nações foram Portugal, Espanha, Itália e Polônia; a última foi a Turquia em 01 de janeiro de 1927. Por fim, com os estudos mais modernos sobre o movimento da Terra sabe-se que até o ano de 4909 o calendário precisará ser ajustado mais uma vez.

Garimpando o acervo:

A montanha mágica foi escrita por Thomas Mann, ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 1929, que também é autor de Morte em Veneza e Doutor Fausto, entre outras obras.

Em tempos finais da pandemia (assim esperamos!), este livro reflete sobre o isolamento involuntário por anos e anos. O personagem principal, Hans Casthorp, um jovem estudante de engenharia naval, alemão de Hamburgo, foi a um sanatório para doenças respiratórias em Davos, Suiça, para tratar uma anemia e visitar o primo que ali se tratava de tuberculose.

No entanto, ele também é diagnosticado com tuberculose. Obrigado a ficar ali também, ele se afasta da vida normal, para viver naquele microcosmo, onde são discutidos temas como a política, a arte, a cultura, a religião, a filosofia, a fragilidade humana (incluindo a morte e o suicídio), o caráter subjetivo do tempo (um dos temas mais importantes da obra) e o amor.

As numerosas personagens do livro, muitas com descrições e reflexões detalhadas, são representações de tendências e pensamentos que predominavam na Europa nos anos anteriores à 1ª Guerra Mundial. Destacam-se: Lodovico Settembrini (humanista e enciclopedista), Leo Naphta (um jesuíta totalitário), o holandês Mynheer Peeperkorn e Madame Claudia Chauchat (interesse romântico do protagonista). No final da narrativa, inicia-se a Primeira Guerra e Castorp une-se às fileiras do Exército, indo para o campo de batalha como um soldado anônimo. O que acontecerá com ele é apenas sugerido.

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