História, Gentes e Cousas de Minha Terra

Ana Luiza do Patrocínio

Historiadora e doutoranda em Educação pela Universidade Federal São Paulo – Unifesp

 

 

“História, gentes e cousas de minha terra” é a primeira obra de fôlego do professor Benedicto Sérgio Lencioni. É a sua primeira tentativa de sistematização da História de Jacareí através de diversas fontes que ele havia lido e coletado ao longo da vida.

Pulicada em 1977, constitui-se em seu primeiro livro, lançado no começo da sua primeira administração como prefeito, que se estendeu de 1977 a 1982. A princípio, foi publicado como fascículos e, em junho de 1981, eles foram reunidos e encadernados num único tomo e passaram a ser vendidos dessa forma.

A primeira publicação segue uma tendência, muito em voga na década de 1970 e que se estendeu até meados da década de 1990, que eram os fascículos comprados em banca e que depois podiam ser reunidos num único ou vários volumes, conforme o plano de obra da coleção.

Dessa época específica, pode-se destacar a coleção “Nosso Século”, cuja natureza e formato era bem parecidas com a obra do professor Lencioni. Diferente, porém, a coleção “Nosso Século” seguiu uma ordem rigorosamente cronológica, o que a presente obra não faz.

Segundo o prefácio do autor, o projeto começou cerca de dez anos antes, quando o pesquisador começou a reunir todos as fontes que achou sobre a cidade: notícias do jornal, documentos do cartório, livros da Câmara municipal,

anuários, livros de outros autores que mencionam Jacareí e casos ocorridos na cidade.

Estas fontes formaram uma massa documental impossível de ser ignorada e que merecia uma publicação para que todos pudessem conhecê-la e nela se debruçarem.

Os fascículos se distinguem por suas cores e sumários, formando quando no exemplar encadernado os dez capítulos da obra. São também autores de artigos seus irmãos Célio Lencioni e Frederico Lencioni Neto, o primeiro falando de geografia e o último sobre fauna e flora da região.

Para a presente análise foi considerado a obra encadernada, considerando os fascículos como seus capítulos.

Cada capítulo tem o seu índice e sua apresentação que sempre se divide em histórias onde são mostrados os documentos de época, gentes que seriam as biografias de pessoas da cidade e coisas, que podem ser plantas, locais ou qualquer outro assunto que não se classifica nos dois primeiros itens. Daí a explicação sobre o título da obra.

Por esse motivo também, os itens são diversificados nos assuntos e nas temporalidades, incluindo histórias do século XVII e do século XX.

O termo “cousas” é um brincadeira do autor com a forma como as palavras eram grafadas na época.

Dentre as muitas histórias, algumas são apresentadas aqui pela primeira vez, como a obra “O Abolicionismo” de Antônio Gomes de Azevedo Sampaio. Também aqui aparecem as primeiras características do autor, como a generosa transcrição das fontes, que ajudou a tantos outros pesquisadores, inclusive quem aqui escreve.

Apesar de algumas informações presentes já terem sido superadas por outras mais recentes do autor ou de outras pessoas, o conteúdo multifacetado ainda seduz com dados ainda inéditos.

A autora que aqui escreve ainda usa esta publicação, apesar de suas próprias pesquisas.

Gestado na primeira metade da década de 1970, publicado entre 1977 (como fascículos) e em 1982 (como livro), a obra de quase 50 anos ainda permanece como referência, por suas fontes, como a primeira obra sistematizada da história de Jacareí.

E permanecerá por muito tempo.

Esse livro se destina ao público em geral e a todos aqueles que amam Jacareí.